Wednesday, January 28, 2009
Neve
Tuesday, January 20, 2009
Esperança
Friday, January 02, 2009
Um bilhete
Já te amava ainda antes de te conhecer.
Todas as noites, os meus últimos pensamentos eram para ti.
Chamava por ti, incessantemente, numa prece silenciosa.
Tu...
que eras um desconhecido somente porque os meus olhos ainda nao tinham repousado sobre os teus.
(as minhas mãos ainda nao tinham percorrido as linhas do teu rosto)
Sim...
tu que andavas perdido de mim.
(e eu de ti)
Sentia-te cada vez mais perto.
Quando, finalmente, os nossos olhares se encontraram,
soubemos que não estávamos mais perdidos,
soubemos que começávamos a continuação de uma história.
As mãos dadas, os dedos entrelaçados...
Maggs
ps. resolução de ano novo: juntar "um bilhete" e "de mãos dadas". Sabemos que há uma história que precisa ser contada...
Saciar...
Recomeça...
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
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"sonho mas não parece, nem quero que pareça, é por dentro que eu gosto
que aconteça a minha vida, íntima, funda, como um sentimento de que
se tem pudor..."
Miguel Torga (1907-1995)
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E... afinal o que nos faz sentir saciados?
Seja a leitura de um texto, seja a observação do que nos rodeia, seja ainda o que o olfacto e o paladar nos oferece, o objecto em apreço só se torna belo, único, excepcional se algo dentro de nós responder positivamente ao estímulo exterior, se sentir saciado nem que seja por alguns instantes.
Todos nós buscamos incessantemente respostas, mesmo para perguntas que ainda não trouxemos para o nosso consciente, e se estivermos atentos, há sempre um texto, uma paisagem, uma refeição, alguma coisa que dá sentido à nossa vida porque houve alguém/algo que nos deu uma resposta para uma inquietação interior.
Por isso, as obras universais não serão aquelas que foram concebidas de dentro para fora, i.e. sem o autor estar centrado sobre si próprio no momento da criação?
Monday, June 23, 2008
Lição de amor
Tuesday, June 10, 2008
Náufragos...
Ontem, fez um mês que cheguei aos Estados Unidos. Estou em Detroit há três semanas e comecei a trabalhar há uma. Com o meu regresso a Detroit, reencontrei o Said que já se interrogava sobre o meu paradeiro visto ter-lhe dito que regressaria em Janeiro e que lhe telefonaria para ele ir buscar-me ao aeroporto. Através dele, tenho conhecido outros árabes africanos, para além de ir-me cruzando com os clientes dele, de passagem por Detroit ou residentes como eu. As minhas conversas com ele e com os seus amigos árabes são tranquilas, sem pressas. Em comum, o facto de sermos de origem africana e emigrantes.
A minha vivência fica mais prenhe, mais rica e aprendo muito mais sobre como levar uma existência mais plena conversando com estas pessoas, indo assim ao encontro do ancião sentado à porta da sua casa feita de pedra e contemplar com ele a natureza. Pressinto que quanto mais conhecimentos adquiro mais me afasto do verdadeiro sentido da existência humana. Talvez seja por isso que os textos de Leão Tolstoy repercutam tanto dentro de mim, proporcionando-me a tranquilidade almejada. Após os sucessos estrondosos das obras Guerra & Paz e Ana Karenina, Tolstoy, até à sua morte, voltou-se para a sabedoria popular e para a busca incessante sobre o sentido da vida. Os diálogos sobre o nosso quotidiano são em inglês, uma língua estranha para todos nós por não ser a nossa língua materna e que se torna muitas vezes insuficiente para exteriorizarmos o nosso estado de alma. Contudo, eles ficam enriquecidos por olhares brilhantes e gestos de agradecimento e de apreciação, tornando-nos mais próximos porque, na verdade, somos todos náufragos.
Independentemente dos motivos que levaram cada um de nós a partir, a deixar a Pátria-amada, e a encontramo-nos aqui em Detroit, para nós terra alheia, somos náufragos porque seremos sempre sobreviventes ... convictos de termos sido impiedosamente arrancados do nosso ninho - das referências que dão sentido à nossa vida.
Friday, May 30, 2008
Marulhar das ondas
George Bailey
Monday, May 26, 2008
Objectos de afecto
Friday, May 16, 2008
Prosperidade
Wednesday, May 14, 2008
Farol
Monday, May 12, 2008
A partida
Sunday, April 20, 2008
Andorinha di Bolta
Ná, Ó Menino Ná...
Sãozinha - Andorinha di Bolta
Ná, Ó Menino Ná
Ó rosto doce de ojo maguado,
Es bo cudado
Botal pa traz!
Nhor Des ta dano um bida de paz,
Ó nha Pecado
De ojo maguado!
Ná, ó menino ná,
Sombra rum fugi de li!
Ná, ó menino ná,
Dixa nha fijo dormi...
Sono de bida, sonho de amor,
Ou graça ou dor,
Es é nós sorte...
Se Deus, más logo, mandano morte,
Quem que tem medo
Ta morrê cedo.
Toma nha ombro, encosta cabeça,
Ja’n dabo peto,
Amá ragaz!
Ó esprito doce, ca bo tem pressa:
Deta co geto,
Dormi na paz...
Saturday, April 19, 2008
Hora di Bai
Sãozinha - Sãozinha Canta Eugénio Tavares
Morna de Despedida
Hora de bai,
Hora de dor,
Ja’n q’ré
Pa el ca manchê!
De cada bêz
Que ‘n ta lembrâ,
Ma’n q’ré
Ficâ ‘n morrê!
Hora de bai,
Hora de dor!
Amor,
Dixa’n chorâ!
Corpo catibo,
Bá bo que é escrabo!
Ó alma bibo,
Quem que al lebabo?
Se bem é doce,
Bai é maguado;
Mas, se ca bado,
Ca ta birado!
Se no morrê
Na despedida,
Nhor Des na volta
Ta dano bida.
Dixam chorâ
Destino de home:
Es dor
Que ca tem nome:
Dor de crecheu,
Dor de sodade
De alguem
Que’n q’ré, que qu’rem...
Tuesday, April 15, 2008
Quase
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser-quase, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de heróis, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá Carneiro (1890-1916)
Monday, April 14, 2008
Friday, April 11, 2008
Bistidu ku florzinhas
Pelos caminhos que percorria, no seu bambolear lento, provocava danos. Os homens quedavam mudos, seguindo com os olhos aquela mulher cheia de vida e de promessas que nunca se cumpriam. As mulheres tentavam mostrar-se indiferentes, desejando que ela caísse finalmente em desgraça. "Essas mulheres acabam sempre da mesma maneira: grávidas de um conquistador fala-barato!".
Thursday, April 10, 2008
Expectativas
vivências sonhadas
momentos idealizados
alegrias partilhadas
sentimentos verdadeiros
respostas desejadas
encontros esperados
Aguardo por
instantes repletos de coisa nenhuma
- Maggs -
Adeus
Mas não o da despedida.
Que logro!
A ruptura em cada encontro.
Palavras pensadas, mas silenciadas.
Olhares esquivos, tão vivos.
Sentimentos omissos, ainda que intensos.
Chegada a hora da partida.
Que seja outrossim o da despedida.
- Maggs -



