Monday, May 12, 2008

A partida

Mais uma vez, era chegada a hora da partida. Grande azáfama e o nervosismo que aumentava porque o táxi não chegava para nos levar ao aeroporto. Depois de uma longa espera, apareceu um e o taxista justificando que era a hora do almoço, i.e. das 13h às 14h "é complicado conseguir um táxi"...
Colocámos as duas malas no porta-bagagens, a minha tia e a minha mãe instaladas no banco de trás. Mal fechei a porta traseira do carro, o taxista arrancou. Fiquei especada a ver o carro partir, parando uns cinquenta metros à frente. Caminhei para o táxi e o senhor desdobrou-se em pedidos de desculpas porque não tinha percebido que eu também iria viajar. No banco de trás, a minha tia e a minha mãe numa risada alegre. E eu respondi: "Se calhar, eu é que devo ficar."
Como iria viajar na SATA até Boston, a partida seria no terminal 2. Não vou tecer grandes comentários sobre o terminal... Ainda parece um estaleiro de obras em algumas partes e eu não compreendo muito bem a sua finalidade. Dizem eles que é para vôos domésticos mas eu iria num vôo internacional... E, pessoalmente, não considero nada agradável fazer aquela viagem de autocarro até ao avião...
A escala em Ponta Delgada torna-se, de certa maneira, agradável porque ao fim de duas horas de viagem, faz-se uma "pausa" e exercita-se as pernas numa das salas de embarque do aeroporto. Depois, são mais cinco horas de viagem até Boston. Uma hora depois de termos partido de Ponta Delgada, oiço pelo altifalante: "Srª Margarida Fragoso, por favor, diriga-se a um assistente de bordo." Lembrei-me de uma situação semelhante que tinha vivido há uns anos atrás quando viajei até Londres para visitar uma amiga. Na altura, a notícia não era agradável, por isso, fiquei logo apreensiva. Mas o sorriso simpático do assistente com quem falei, tranquilizou-me logo: tinham uma refeição vegetariana para a Srª Margarida Fragoso mas não sabiam em que lugar ela estava sentada. É que aprendi a minha lição! Ao comprar o bilhete de avião, peço sempre "refeição especial". Desta maneira, sou das primeiras a ser servida e a comida é ligeiramente melhor.
Felizmente, a minha passagem pela Imigração foi tão suave que até estranhei. Na minha cabeça, respostas para mil e uma perguntas que me pudessem fazer. Por outro lado, a passagem pela Alfândega foi um pouco mais emotiva. Um polícia perguntou-me se trazia comida comigo e quantos dólares transportava na altura. Admito que ele apanhou-me desprevenida porque estava completamente esquecida do bacalhau que tinha trazido para o meu irmão mas depois fiz um ar doutoral e frisei que, obviamente, não trazia comida e que trazia pouco dinheiro porque tinha conta bancária nos Estados Unidos porque já trabalhava aqui. É sofrida esta passagem pela Imigração e Alfândega...
Saí tão atordoada que nem vi o meu irmão e a minha cunhada! Mas depois os abraços, a alegria do reencontro fizeram-me esquecer ... esquecer por momentos as saudades daqueles que tive de deixar para trás.
Mas, parece-me que esta é a vida de um emigrante...
Maggs

8 comments:

Anonymous said...

Ainda bem que a chegada correu bem....
a do bacalhau é demais lol....é sempre óptimo o reencontro, de quem gostamos.

:)

Maggy Fragoso said...

Olá pp!

Espero que tudo esteja indo bem desse lado do Oceano! :)
O meu irmão depois esclareceu-me que nos vôos da SATA é prática habitual este interrogatório. Também não é para menos: vi passageiros com ananás, queijo da ilha, etc... :)
É a necessidade de trazer os "produtos da terra" e poder saboreá-los na diáspora.
Mas... tão cedo não trago bacalhau!

Um resto de dia feliz!

Anonymous said...

Ok tudo de bom...para vós

tem uma boa estadia...

por cá tu a andar sobre rodas.

:)

Maggy said...

Obrigada pp!

Bjos

Anonymous said...

comigo e' mais a "non-dairy diet" e depois faco cara de quem vai ter um choque anafilatico se comer alguma forma de queijo!! Mas na AA e' so' em business!!! lixam-se para a raia miuda..

quanto 'a saudades, quem ama esta' sempre perto, e assim vamos convencendo e sobrevivendo

bj

Maggy said...

Olá MC!

E por estar sempre perto, mesmo longe... a dor é maior. O "desengano" não funciona 24h/24h.
Por outro lado, há um encanto com a distância: a expectativa do reencontro.

Um beijo grande!

Anonymous said...

Bem...
Todos os dias aqui venho e só hojr sei que estás aí!
Com que então com géneros alimentares de forte odor...
Partia-me a rir se lé estivesse.
tudo bom para ti.

bjs nossos e saudades
Arega e Cª

Maggy said...

Olá Arega & Cª!

A questão é que me tinha esquecido completamente que trazia bacalhau. Por isso, respondi com um veemente não na primeira vez que me perguntou. Qd me fez novamente a mesma pergunta, só imaginava a mala a ser aberta e o bacalhau a ser confiscado! Mas a minha sorte foi ele ter começado a falar de dinheiro e eu aí sabia que não estava a mentir! De facto, trouxe pouco dinheiro... É que vou ganhar os dólares aqui! :)

Obrigada pela tua amizade! Por motivos egoístas é que o digo: é que me aceitas como sou. :)

Continuação de uma excelente semana!

Um forte abraço!
Maggyzinha