Peço-te,
mantém-te imóvel
um pouco mais.
Se puderes,
se quiseres...
Peço-te,
mantém-te imóvel
um pouco mais.
Por um instante,
por uma eternidade.
Como entenderes...
Peço-te, prolonga
um pouco mais
esse sorriso
que é meigo,
que é sensual,
esse olhar
que é vivo,
que é apaixonado.
És menina-moça-mulher
com esse sorriso,
com esse olhar.
- Enganaste-me tão bem
com essa carinha de santa -
Peço-te,
mantém-te imóvel
um pouco mais.
Quero guardar
esse sorriso
esse olhar
que são tão intensos...
Serás sempre minha
mas sei que
preciso deixar-te partir.
- Maggs -
Saturday, September 22, 2007
Friday, September 21, 2007
Quiçá (I)
A porta fechada,
trancada.
A chave escondida,
olvidada.
Quiçá, de dia
acanhados,
inibidos,
não ousemos.
Quiçá, de noite
desprotegidos,
autênticos,
não hesitemos.
Porque esta chave
precisa ser encontrada.
Porque esta porta
precisa ser aberta.
Porque esta história
precisa ser vivida.
- Maggs -
trancada.
A chave escondida,
olvidada.
Quiçá, de dia
acanhados,
inibidos,
não ousemos.
Quiçá, de noite
desprotegidos,
autênticos,
não hesitemos.
Porque esta chave
precisa ser encontrada.
Porque esta porta
precisa ser aberta.
Porque esta história
precisa ser vivida.
- Maggs -
Thursday, September 20, 2007
(Re)encontro
Estes grilhões
que me prendem
Estas correntes
que me sufocam
hão-de desaparecer.
Nesse dia
- que chegará certamente -
entrarei nessa barca
que, por mim, implora
incessantemente
navegarei
destemidamente
chegarei
infalivelmente
os pés na areia molhada
e alegremente
seguirei
ao meu (re)encontro.
- Maggs -
que me prendem
Estas correntes
que me sufocam
hão-de desaparecer.
Nesse dia
- que chegará certamente -
entrarei nessa barca
que, por mim, implora
incessantemente
navegarei
destemidamente
chegarei
infalivelmente
os pés na areia molhada
e alegremente
seguirei
ao meu (re)encontro.
- Maggs -
Wednesday, September 19, 2007
Beijo
No enamoramento,
estremeceu,
ruborizou.
Na face, o beijo
atrevido.
No ar, a gargalhada
cristalina.
Na saudade,
dormia,
sonhava.
Na face, o beijo
terno.
No ar, a presença
de uma ausência.
- Maggs -
estremeceu,
ruborizou.
Na face, o beijo
atrevido.
No ar, a gargalhada
cristalina.
Na saudade,
dormia,
sonhava.
Na face, o beijo
terno.
No ar, a presença
de uma ausência.
- Maggs -
Tuesday, September 18, 2007
Chuva (I)
Chove,
persistentemente.
Anoitece,
impiedosamente.
A janela aberta,
teimosamente.
A água, caindo
melodiosamente.
A terra molhada, exalando
despretensiosamente.
- Maggs -
persistentemente.
Anoitece,
impiedosamente.
A janela aberta,
teimosamente.
A água, caindo
melodiosamente.
A terra molhada, exalando
despretensiosamente.
- Maggs -
Variações sobre o mesmo tema (I)
Perdoa-me
por insistir
por galgar
por invadir
para chegar ao último reduto
onde estás qual Senhor de um reino órfão.
Perdoa-me
por não arredar pé
por não desistir
Aprendi a saber esperar.
- Maggs -
por insistir
por galgar
por invadir
para chegar ao último reduto
onde estás qual Senhor de um reino órfão.
Perdoa-me
por não arredar pé
por não desistir
Aprendi a saber esperar.
- Maggs -
Variações sobre o mesmo tema (II)
Todos os dias cumpria o mesmo ritual. Ao aproximar-se de casa, ao fim de um dia de trabalho, sentia crescer nela a expectativa de que naquele dia seria diferente. Tinha sempre a esperança de que ao abrir a caixa do correio encontraria a carta. E todos os dias, a carta não chegava. Sabia que tal não aconteceria, porém isso não a esmorecia. Pelo contrário, tinha aprendido a saber esperar.
Na tranquilidade da noite, escrevia uma nova carta. Eram cartas corriqueiras, que descreviam o seu dia-a-dia. Queria que ele soubesse que estava bem, acima de tudo. No dia seguinte, no caminho para o trabalho, passava pela estação dos correios e enviava a carta. Ao fim do dia, a expectativa voltava a crescer.
Uma noite sonhou que ele lhe dizia: "Tens de me vir buscar, tens de vir lutar por mim. Não consigo quebrar estas muralhas." Ainda o sol, timidamente, lançava os seus raios de luz para o início de um novo dia, já estava pronta para ir ter com o destinatário das cartas. Ao chegar, bateu à porta, espreitou à janela. Não havia sinal de vida. A porta estava trancada, as persianas estavam corridas. Mas não arredou pé, não desistiu. Tinha aprendido a saber esperar.
Na tranquilidade da noite, escrevia uma nova carta. Eram cartas corriqueiras, que descreviam o seu dia-a-dia. Queria que ele soubesse que estava bem, acima de tudo. No dia seguinte, no caminho para o trabalho, passava pela estação dos correios e enviava a carta. Ao fim do dia, a expectativa voltava a crescer.
Uma noite sonhou que ele lhe dizia: "Tens de me vir buscar, tens de vir lutar por mim. Não consigo quebrar estas muralhas." Ainda o sol, timidamente, lançava os seus raios de luz para o início de um novo dia, já estava pronta para ir ter com o destinatário das cartas. Ao chegar, bateu à porta, espreitou à janela. Não havia sinal de vida. A porta estava trancada, as persianas estavam corridas. Mas não arredou pé, não desistiu. Tinha aprendido a saber esperar.
- Maggs -
Monday, September 17, 2007
Variações sobre o mesmo tema (III)
Perdoa-me
por vacilar
por duvidar
por questionar
ao chegar ao último reduto
onde estás qual Senhor de um reino auto-suficiente.
Perdoa-me
por arredar pé
por desistir
Aprendi que não queres que eu espere.
- Maggs -
por vacilar
por duvidar
por questionar
ao chegar ao último reduto
onde estás qual Senhor de um reino auto-suficiente.
Perdoa-me
por arredar pé
por desistir
Aprendi que não queres que eu espere.
- Maggs -
Sunday, September 16, 2007
Encontro
Na antecipação do nosso encontro,
ensaio as palavras,
ensaio os gestos.
E, no meio da multidão,
mesmo antes dos meus olhos repousarem sobre os teus,
sentirei a tua presença,
sentirei que me observas à distância - insistentemente,
sentirei que tens estado à minha espera - pacientemente.
Na antecipação do nosso encontro,
ensaio as palavras,
ensaio os gestos.
Aproximar-me-ei, hesitante e trémula.
Não haverá palavras.
Não haverá gestos.
Aninhar-me-ei no teu peito que me parecerá imenso e apaziguador
e envolver-me-ás no teu abraço.
Na antecipação do nosso encontro,
não vou ensaiar as palavras,
não vou ensaiar os gestos,
muito menos o meu olhar
pois ele é límpido e cheio de saudades tuas.
- Maggs -
ensaio as palavras,
ensaio os gestos.
E, no meio da multidão,
mesmo antes dos meus olhos repousarem sobre os teus,
sentirei a tua presença,
sentirei que me observas à distância - insistentemente,
sentirei que tens estado à minha espera - pacientemente.
Na antecipação do nosso encontro,
ensaio as palavras,
ensaio os gestos.
Aproximar-me-ei, hesitante e trémula.
Não haverá palavras.
Não haverá gestos.
Aninhar-me-ei no teu peito que me parecerá imenso e apaziguador
e envolver-me-ás no teu abraço.
Na antecipação do nosso encontro,
não vou ensaiar as palavras,
não vou ensaiar os gestos,
muito menos o meu olhar
pois ele é límpido e cheio de saudades tuas.
- Maggs -
Uma ida ao cinema
Saíamos de casa, descíamos a rua do Hospital, virávamos na primeira rua à direita, depois na primeira à esquerda, continuávamos a descer por essa rua e virávamos na primeira à direita, atravessávamos o jardim da Escola Grande e chegávamos ao cinema. Outras vezes, continuávamos o passeio até à praça Afonso Albuquerque e os meus pais compravam mancarra às vendedeiras que estavam no jardim da Escola Grande.
Há um filme que vimos no cinema da Praia que me marcou de tal forma que ainda gravo na memória algumas imagens, como se tivessem ficado congeladas para sempre. Do que me consigo recordar, a história passa-se num bairro de operários e há um avô que ganha a vida a comprar e a vender bens usados, usando uma carroça puxada por um cavalo. O neto costuma acompanhá-lo e juntos apregoam os serviços do avô através de uma canção. O avô morre e a imagem que tenho bem vincada na minha memória é a de um grande plano da cara do menino e ele a lembrar-se (agora sei que era uma recordação!) dos percursos que faziam pela cidade na carroça do avô, cantando com ele.
Saímos do cinema e, no regresso a casa, estávamos todos a comentar o filme e eu, num misto de interrogação e de afirmação porque, acima de tudo, queria tranquilizar-me, disse algo do género: "Deus ficou triste por saber que o neto tinha ficado desconsolado, por isso, trouxe o avô ao mundo novamente, não é?" Na altura, com menos de dez anos, foi a minha forma de resolver a minha angústia por ver o menino triste. Hoje, sei que a realidade é outra mas em relação a este filme, a criança e o avô continuam a percorrer as ruas da minha imaginação apregoando que compram e vendem toda a espécie de bugigangas.
Saímos do cinema e, no regresso a casa, estávamos todos a comentar o filme e eu, num misto de interrogação e de afirmação porque, acima de tudo, queria tranquilizar-me, disse algo do género: "Deus ficou triste por saber que o neto tinha ficado desconsolado, por isso, trouxe o avô ao mundo novamente, não é?" Na altura, com menos de dez anos, foi a minha forma de resolver a minha angústia por ver o menino triste. Hoje, sei que a realidade é outra mas em relação a este filme, a criança e o avô continuam a percorrer as ruas da minha imaginação apregoando que compram e vendem toda a espécie de bugigangas.
- Maggs -
Saturday, September 15, 2007
Conversa à porta de casa
"Foi num dia igualzinho a este que nasceste. Estava este calor seco e não corria uma única brisa.", ía dizendo a avó enquanto Santiago se sentava perto dela, no mocho que tinha trazido da cozinha. O cão Pulgas, percebendo que o dono não estava para aventuras, deitou-se prazenteiramente aos pés de Santiago que lhe ía acariciando as longas orelhas castanhas. Era uma tarde de Domingo e Nha Maria e o neto estavam sentados à porta de casa, aproveitando a sombra que batia ali sempre por essa altura do dia. As pessoas que íam passando, paravam e cumprimentavam Nha Maria, perguntando-lhe pela saúde e família, acabando, invarialmente, a conversa dizendo: "Mas este é o seu neto? Cada vez mais parecido com o pai!".
Nha Maria adorava contar estórias e Santiago era um excelente ouvinte, sempre de olhos arregalados, narinas dilatadas e de lábios entreabertos como se assim conseguisse absorver melhor todos os detalhes do que ela estava a contar. Mas ele não era o único ouvinte atento porque as crianças da redondeza sentavam-se à volta para ouvi-la contar as estórias que já tinham sido repetidas vezes sem conta mas que pareciam sempre novas porque ela mudava sempre um pormenor, omitia outro e realçava ainda um outro diferente. Mas assim que Santiago chamava a avó a atenção para o facto de estar a haver uma alteração, ela, com uma expressão séria mas de olhar brilhante e risonho, dizia: "Afinal? Quem é que está a contar a estória aqui?".
"Estás muito quieto, Santiago. Na volta, estás doente.", disse a avó, tentando espicaçar o neto, percebendo que a estória do nascimento dele e do porquê de se chamar Santiago não ía pegar. Santiago andava taciturno nos últimos dias e a avó tentava que ele se abrisse. Como o menino continuava calado, ela fez um compasso de espera e falou novamente como se estivesse a pensar em voz alta: "Se calhar, vou fazer doce de mancarra logo mais. Só que preciso de um ajudante... Mas se estás a sentir-te doente... fica para a próxima, não é, meu neto?" Santiago sorriu, contudo os olhos ainda de expressão melancólica, dizendo: "Não estou nada doente, avó!" "Então porque andas assim muito caladinho?", questionou Nha Maria. Santiago hesitou, suspirou e disse "Mas a avó não vai dizer a ninguém?" "Claro que não! Ninguém sabe das minhas conversas com o meu neto. Só se o Pulgas aqui falar." Santiago riu, dizendo: "Mas os cães não falam, avó!" Nha Maria, mulher vivida e conhecedora do comportamento humano, compreendeu que o neto iria finalmente partilhar com ela o que tanto o preocupava. "Avó, a mãe vai fazer anos e ... é assim ... eu quero muito oferecer-lhe algo bonito, grande e que ela nunca tenha tido... mas só tenho 200 escudos comigo. Tenho andado a juntar o meu dinheiro mas não vou conseguir nunca o que preciso para poder oferecer-lhe uma prenda linda!" E os olhos do menino brilhavam, as lágrimas contidas, os lábios tremendo.
Nha Maria adorava contar estórias e Santiago era um excelente ouvinte, sempre de olhos arregalados, narinas dilatadas e de lábios entreabertos como se assim conseguisse absorver melhor todos os detalhes do que ela estava a contar. Mas ele não era o único ouvinte atento porque as crianças da redondeza sentavam-se à volta para ouvi-la contar as estórias que já tinham sido repetidas vezes sem conta mas que pareciam sempre novas porque ela mudava sempre um pormenor, omitia outro e realçava ainda um outro diferente. Mas assim que Santiago chamava a avó a atenção para o facto de estar a haver uma alteração, ela, com uma expressão séria mas de olhar brilhante e risonho, dizia: "Afinal? Quem é que está a contar a estória aqui?".
"Estás muito quieto, Santiago. Na volta, estás doente.", disse a avó, tentando espicaçar o neto, percebendo que a estória do nascimento dele e do porquê de se chamar Santiago não ía pegar. Santiago andava taciturno nos últimos dias e a avó tentava que ele se abrisse. Como o menino continuava calado, ela fez um compasso de espera e falou novamente como se estivesse a pensar em voz alta: "Se calhar, vou fazer doce de mancarra logo mais. Só que preciso de um ajudante... Mas se estás a sentir-te doente... fica para a próxima, não é, meu neto?" Santiago sorriu, contudo os olhos ainda de expressão melancólica, dizendo: "Não estou nada doente, avó!" "Então porque andas assim muito caladinho?", questionou Nha Maria. Santiago hesitou, suspirou e disse "Mas a avó não vai dizer a ninguém?" "Claro que não! Ninguém sabe das minhas conversas com o meu neto. Só se o Pulgas aqui falar." Santiago riu, dizendo: "Mas os cães não falam, avó!" Nha Maria, mulher vivida e conhecedora do comportamento humano, compreendeu que o neto iria finalmente partilhar com ela o que tanto o preocupava. "Avó, a mãe vai fazer anos e ... é assim ... eu quero muito oferecer-lhe algo bonito, grande e que ela nunca tenha tido... mas só tenho 200 escudos comigo. Tenho andado a juntar o meu dinheiro mas não vou conseguir nunca o que preciso para poder oferecer-lhe uma prenda linda!" E os olhos do menino brilhavam, as lágrimas contidas, os lábios tremendo.
Nha Maria não disse nada. Levantou-se, pegou na mão do neto e entraram em casa. Pulgas levantou a cabeça mas sentindo-se indolente voltou a baixá-la e a adormecer. Foram até ao quarto de Nha Maria que tirou do guarda-fato uma lata. Os olhos de Santiago sorriram e ele sussurou como se estivesse perante um grande tesouro: "Tantas cores diferentes...", quando a avó despejou o conteúdo da lata em cima da cama. Papéis coloridos e de várias qualidades, bocados de vários tipos de tecido, cordas em tons de dourado e prateado faziam um alegre contraste sobre a colcha em crochet de branco imaculado. "E que tal escolhermos as cores que mais gostares e fazermos um belo quadro à tua mãe? Será o nosso segredo. O que dizes?". "Um quadro, avó? ... Sim! E ela pode pôr na sala! Ela não tem dito que a parede por cima do sofá está muito vazia?", disse o menino, dando ares de pessoa entendida em quadros e paredes de sala, porém com o olhar de uma criança de sete anos que já sabia que iria oferecer à sua mãe "algo bonito, grande e que ela nunca tinha tido"!
- Maggs -
A composição
Naquele dia, a professora sentia-se particularmente cansada e a turma estava irrequieta. Por isso, ela mandou que os alunos fizessem uma composição onde falassem sobre eles. Eis uma delas:
"O meu nome é Santiago A.. Tenho 7 anos. Moro numa casa de cor verde com os meus pais mais a minha avó. A minha avó é a mãe do meu pai. Tenho um cão que se chama pulgas. Gosto muito do pulgas. O pulgas é pequeno, castanho e tem orelhas grandes. O pulgas gosta muito de brincar e eu gosto de brincar com ele. Mas, como diz a minha mãe, tenho de lavar sempre bem as mãos depois de brincar com o pulgas, principalmente se for comer. A minha avó faz doce de mancarra. Eu gosto muito de comer o doce de mancarra que a minha avó faz. E quando eu for grande, quero ser piloto-aviador porque quero conhecer o mundo inteiro. E é isto que eu quero dizer sobre mim."
- Maggs -
________________
Em Cabo Verde chamamos mancarra ao amendoim.
Pedido
Deixa que os meus dedos
passem pela tua testa,
desmanchando essas linhas de preocupação.
percorram a linha dos teus lábios,
desenhando um sorriso.
toquem o teu coração,
compassando-o com o meu.
enlacem nos teus dedos,
iniciando a nossa jornada.
- Maggs -
passem pela tua testa,
desmanchando essas linhas de preocupação.
percorram a linha dos teus lábios,
desenhando um sorriso.
toquem o teu coração,
compassando-o com o meu.
enlacem nos teus dedos,
iniciando a nossa jornada.
- Maggs -
Friday, September 14, 2007
Espelho
Aproxima-te.
Não tenhas receio.
Nada mais sou do que o reflexo da tua alma.
Aproxima-te.
Sou eu que te chamo.
Olha para mim, para ti, para nós.
Aproxima-te.
Tenho tanto para te dizer.
Aproxima-te.
Não te inibas.
O mundo pode ser teu.
Basta acreditares.
- Maggs -
Não tenhas receio.
Nada mais sou do que o reflexo da tua alma.
Aproxima-te.
Sou eu que te chamo.
Olha para mim, para ti, para nós.
Aproxima-te.
Tenho tanto para te dizer.
Aproxima-te.
Não te inibas.
O mundo pode ser teu.
Basta acreditares.
- Maggs -
Feitiço
Ontem, dancei ao luar.
Enfeitiçada por ti me sentindo.
De vestido branco, diáfano,
revelei-me na minha verdadeira dimensão - sem máscaras.
Hoje, sob o sol brilhante,
o feitiço desapareceu.
Porém, continuas aqui ao meu lado.
Decerto, foi mais que um simples encantamento.
- Maggs -
Enfeitiçada por ti me sentindo.
De vestido branco, diáfano,
revelei-me na minha verdadeira dimensão - sem máscaras.
Hoje, sob o sol brilhante,
o feitiço desapareceu.
Porém, continuas aqui ao meu lado.
Decerto, foi mais que um simples encantamento.
- Maggs -
Umbigo
O meu umbigo é redondo.
O meu umbigo é perfeito.
O meu umbigo é único.
Levanto o olhar.
A minha vida aconteceu
e eu não dei por nada.
- Maggs -
O meu umbigo é perfeito.
O meu umbigo é único.
Levanto o olhar.
A minha vida aconteceu
e eu não dei por nada.
- Maggs -
Thursday, September 13, 2007
Rádio de Cabo Verde
Passei esta última semana na míngua da rádio de Cabo Verde. Estando aqui na América profunda, esta situação levou-me a grandes inquietudes de alma.
Agora mesmo estou a ouvir o inconfundível Bana e já não estou aqui, em Omaha, mas sim, à beira-mar sentindo o cheiro a maresia, ouvindo o gargalhar das crianças que mergulham nas ondas do mar, observando a vendedeira que apregoa doces, água de côco ou manguinhas, ouvindo o som do cavaquinho que ressoa em mim vezes sem conta.
Nunca senti tanto a 'dor da saudade' tal como estou a senti-la neste ano aqui em Omaha. Por outro lado, são estes momentos que nos fazem ir mais além no conhecimento de nós próprios e dos nossos limites. E aqui, em Omaha, confirmo o que eu dizia a meia-voz quando estava em Londres: 'para sabermos para onde vamos, temos de saber de onde viemos'.
E no meu caso pessoal, é a minha ligação forte, vibrante com Cabo Verde que me faz ir mais além, que me faz procurar novos desafios, novas metas... porque sei que nesta minha jornada universal, cada vez mais me aproximo daqueles 'dez grãozinhos de terra'.
- Maggs -
Credit score
É difícil explicar o que não se entende, por isso, tentarei o meu melhor para explicar esta história do credit score. Aqui, contei que tive de deixar um depósito de 75 dólares na empresa que me fornece o serviço de internet, visto eu não ter um historial de crédito. Tentando mudar isso, fui aconselhada que a melhor maneira de começar a fazer o meu historial de crédito seria através da aquisição de um cartão de crédito.Lá voltei à questão retórica de "quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?" pela dificuldade em obter o cartão visa: não tem historial de crédito; mas se não tenho historial de crédito, como posso então começar? Porém, o banco onde tenho conta decidiu contemplar-me com um secured visa card. Este cartão visa difere dos outros porque o valor do plafond no cartão tem de estar sempre disponível na minha conta a prazo. ... Quanta magnanimidade perante esta pobre criatura que quer construir um historial de crédito porque já não pode ouvir mais o comentário que "não tem historial de crédito" que mais parece "para nós, é como se não existisse".
Nas minhas pesquisas na internet sobre este tipo de cartão de crédito, encontrei a seguinte afirmação: que eu saberia que o meu historial de crédito estava no bom caminho a partir do momento que começasse a receber cartas com "ofertas" de cartão visa sem necessidade de ter este depósito de segurança. E existirá para mim, interrogo-me, maior ambição que a de finalmente passar a ser um número (de segurança social) com um historial de crédito???
Bem, com a preocupação de criar e manter um bom historial de crédito, mal recebi a carta com a ordem de pagamento da prestação das despesas efectuadas com o cartão, apressei-me a mandar o cheque no envelope que tinham enviado. Umas boas horas mais tarde, fiquei atordoada porque tinha a certeza que não tinha colocado o selo no envelope e eu não fazia a mínima ideia se o envelope era pré-pago ou não. E continuo inclinada a pensar que o envelope não era pré-pago. Não tenho visto disso aqui.... Mas hoje confirmei que o cheque chegou a bom porto e que o meu crédito está a florescer. Agora, ficarei na dúvida existencial até ao próximo extracto para ver se o envelope é pré-pago ou não. Provavelmente, virá uma despesa de 41 cêntimos para eu liquidar.
Pelo que percebi, quanto maior for o valor do credit score mais facilmente se consegue obter crédito para compras a prestação porque o vendedor sabe que 'não os deixaremos pendurados'. Por outro lado, os juros aplicados variam em função do credit score, por isso, nem me passa pela cabeça comprar algo a prestação nos próximos tempos.
- Maggs -
Wednesday, September 12, 2007
Oásis

Há um grito que não ecoa.
Há uma dor que não mitiga.
Há um olhar que não acontece.
Porém, no recesso da alma,
tudo se apazigua,
tudo se harmoniza,
tudo faz sentido.
Há uma voz que chama.
Há um odor que inebria.
Há uma mão que guia.
- Maggs -
________________
Tenda no deserto do Sahara
foto de Dan Heller
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