Saturday, March 28, 2009
No meu peito
Mas se tiveres mesmo de chorar, aninhar-te-ei no meu peito.
Aqui, há tantas dores iguais às tuas.
Não chores...
Mas se tiveres mesmo de chorar, levar-te-ei à beira mar.
Ali, há tantas lágrimas iguais às tuas.
Não chores...
Mas se tiveres mesmo de chorar, chorarei contigo.
Bem sabes que as tuas dores são as minhas.
Não chores...
Mas se tiveres mesmo de chorar, pedir-te-ei para não chorares.
É que o mar não é feito só de lágrimas e eu...
Eu preciso que me sustenhas para poder então aninhar-te no meu peito.
A visita
Saturday, March 21, 2009
Bem-vinda
Não sabia que existias.
Não sabia.
Não sabia sequer o que almejavas - para mim -.
Mas tu...
Mas tu sempre soubeste tudo sobre mim.
Quem eu era, quem eu sou.
Eu?
Eu não sabia nada disso sobre mim.
E neste silêncio, nesta quietude,
Eis que irrompeste do fundo de mim
Livre e triunfante!
Sê bem-vinda.
Não sabia que existias - em mim -.
Sê bem-vinda.
Sai da minha sombra.
É que não sabia que és a razão pela qual eu existo.
Thursday, March 12, 2009
Os amantes
Sunday, March 08, 2009
Silêncio, por favor
o modo como sonhas, o que sentes.
Nas profundezas da tua alma, deixa-os elevarem-se
assim como as estrelas nos céus cristalinos
antes da noite ficar indistinta:
Delicia-te neles e não fales.
Como pode um coração encontrar uma forma de se exprimir?
Como pode outra pessoa saber o que pensas?
Poderá discernir o que te move?
Um pensamento, uma vez dito, torna-se falso.
A água da fonte fica escurecida, quando agitada:
bebe da fonte e não fales.
Vive no teu interior sozinho
dentro da tua alma um mundo cresceu,
a magia dos pensamentos velados que podem
aceita a sua música e não fales.
Homero & Maria
Como foi
como uma carícia, explorando as linhas do meu corpo.
Nas palavras suspensas por silêncios densos
onde tudo é sentido e nada é falado.
Fizeste-me tua.
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Sunday, March 01, 2009
Promessas
que todos os dias irás mais além
que serás ponderado nas escolhas
que serás intrépido nas demandas
que sentirás todos os dias que foste mais além.
Promete-me
... não, espera...
Promete a ti próprio
que serás sempre fiel ao teu EU.
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Wednesday, February 18, 2009
Saudades
No meu presente, as saudades de quem serei,
No meu futuro, o encontro com quem serei.
Saudades de quem serei, não de quem fui.
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Sunday, February 08, 2009
Folhas
História de amor
Thursday, February 05, 2009
Pertença
sem o saber.
Chamava por ti, só por ti
sem o saber.
Esperava por ti, só por ti
sem o saber.
Oh solidão!
Por não ser tua,
Por não ter resposta
A esta espera.
Os meus chamamentos
que se perdiam
mas que encontraram os teus
E agora tudo faz sentido.
A ponte
Eu falava sobre o nosso amor,
- as emoções à solta -
Tu escutavas,
- rendido, seduzido -
Agora, inibida me encontro.
As palavras envergonhadas.
As emoções recatadas.
O amor órfão se encontra.
O silêncio domina.
O vazio por companhia.
Nunca mais vieste à ponte...
A ponte que me ligava a ti.
Sunday, February 01, 2009
Sol
Wednesday, January 28, 2009
Neve
Tuesday, January 20, 2009
Esperança
Friday, January 02, 2009
Um bilhete
Já te amava ainda antes de te conhecer.
Todas as noites, os meus últimos pensamentos eram para ti.
Chamava por ti, incessantemente, numa prece silenciosa.
Tu...
que eras um desconhecido somente porque os meus olhos ainda nao tinham repousado sobre os teus.
(as minhas mãos ainda nao tinham percorrido as linhas do teu rosto)
Sim...
tu que andavas perdido de mim.
(e eu de ti)
Sentia-te cada vez mais perto.
Quando, finalmente, os nossos olhares se encontraram,
soubemos que não estávamos mais perdidos,
soubemos que começávamos a continuação de uma história.
As mãos dadas, os dedos entrelaçados...
Maggs
ps. resolução de ano novo: juntar "um bilhete" e "de mãos dadas". Sabemos que há uma história que precisa ser contada...
Saciar...
Recomeça...
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
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"sonho mas não parece, nem quero que pareça, é por dentro que eu gosto
que aconteça a minha vida, íntima, funda, como um sentimento de que
se tem pudor..."
Miguel Torga (1907-1995)
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E... afinal o que nos faz sentir saciados?
Seja a leitura de um texto, seja a observação do que nos rodeia, seja ainda o que o olfacto e o paladar nos oferece, o objecto em apreço só se torna belo, único, excepcional se algo dentro de nós responder positivamente ao estímulo exterior, se sentir saciado nem que seja por alguns instantes.
Todos nós buscamos incessantemente respostas, mesmo para perguntas que ainda não trouxemos para o nosso consciente, e se estivermos atentos, há sempre um texto, uma paisagem, uma refeição, alguma coisa que dá sentido à nossa vida porque houve alguém/algo que nos deu uma resposta para uma inquietação interior.
Por isso, as obras universais não serão aquelas que foram concebidas de dentro para fora, i.e. sem o autor estar centrado sobre si próprio no momento da criação?
Monday, June 23, 2008
Lição de amor
Tuesday, June 10, 2008
Náufragos...
Ontem, fez um mês que cheguei aos Estados Unidos. Estou em Detroit há três semanas e comecei a trabalhar há uma. Com o meu regresso a Detroit, reencontrei o Said que já se interrogava sobre o meu paradeiro visto ter-lhe dito que regressaria em Janeiro e que lhe telefonaria para ele ir buscar-me ao aeroporto. Através dele, tenho conhecido outros árabes africanos, para além de ir-me cruzando com os clientes dele, de passagem por Detroit ou residentes como eu. As minhas conversas com ele e com os seus amigos árabes são tranquilas, sem pressas. Em comum, o facto de sermos de origem africana e emigrantes.
A minha vivência fica mais prenhe, mais rica e aprendo muito mais sobre como levar uma existência mais plena conversando com estas pessoas, indo assim ao encontro do ancião sentado à porta da sua casa feita de pedra e contemplar com ele a natureza. Pressinto que quanto mais conhecimentos adquiro mais me afasto do verdadeiro sentido da existência humana. Talvez seja por isso que os textos de Leão Tolstoy repercutam tanto dentro de mim, proporcionando-me a tranquilidade almejada. Após os sucessos estrondosos das obras Guerra & Paz e Ana Karenina, Tolstoy, até à sua morte, voltou-se para a sabedoria popular e para a busca incessante sobre o sentido da vida. Os diálogos sobre o nosso quotidiano são em inglês, uma língua estranha para todos nós por não ser a nossa língua materna e que se torna muitas vezes insuficiente para exteriorizarmos o nosso estado de alma. Contudo, eles ficam enriquecidos por olhares brilhantes e gestos de agradecimento e de apreciação, tornando-nos mais próximos porque, na verdade, somos todos náufragos.
Independentemente dos motivos que levaram cada um de nós a partir, a deixar a Pátria-amada, e a encontramo-nos aqui em Detroit, para nós terra alheia, somos náufragos porque seremos sempre sobreviventes ... convictos de termos sido impiedosamente arrancados do nosso ninho - das referências que dão sentido à nossa vida.