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Tuesday, September 11, 2007

Causas pessoais

Hoje, no programa Fresh Air, da National Public Radio, ouvi uma entrevista muito interessante. A apresentadora do programa, Terri Gross, entrevistou o médico psiquiatra Charles Reynolds, da Pittsburgh University Medical School, que é especialista em depressões em pessoas com mais de setenta anos.
Ele apresentou a viúvez, a reforma ou o abrandamento de uma vida activa, o aumento da dependência nos outros, entre outros motivos, como causas de depressão em idosos, tendo agora publicado um livro que pode servir de guia aos familiares no sentido de poderem reconhecer os sintomas. Segundo ele, estas pessoas não têm uma natureza depressiva, estando num processo de adaptação a uma nova realidade, por isso, se forem bem acompanhados poderão ultrapassar esta situação e conseguir uma vida com dignidade.
Ele estava a fazer o internato em psiquiatra quando o seu avô, na altura com oitenta e nove anos, suicidou-se com uma arma de fogo. Ele descreveu o avô como uma pessoa que foi sempre muito activa e que nesta fase da vida dele encontrava-se muito fragilizado fisicamente, por motivos de doença, e que entrou num quadro clínico de depressão que não foi detectado a tempo. Charles Reynolds dedica-se a esta área há vinte e cinco anos. Sim, esta é uma causa pessoal.

Ao ouvir isto, lembrei-me de outra história de causa pessoal, provavelmente já romanceada pelo tempo, mas que me fazia sentir especial sempre que entrava pela porta principal do Royal Marsden Hospital. Este hospital tem o nome de William Marsden, médico, cuja esposa faleceu com cancro. Em 1851, ele funda o Free Cancer Hospital, hoje Royal Marsden Hospital que em parceria com o Institute of Cancer Research são nomes de referência na área de Oncologia.
- Maggs -

Sunday, September 02, 2007

À caça do 1%

Tenho andado incansavelmente à caça do 1%.
Dei por mim tão embrenhada neste pequeno rectângulo de investigação que após longas horas de olhos fixos no monitor do computador, senti que houve um EU que se dissociou de mim. Este EU olhava para mim de forma persistente, impondo a sua presença de tal forma que eu não via mais o monitor mas somente estes (meus) olhos fixos em mim.
Este EU coloca-me sempre em apuros: chama-me insistentemente para irmos ver a vida lá fora; para não descurar a minha grande causa; para não mergulhar-me de tal forma no 1% que esqueça a minha ambição de poder contribuir que pessoas com cancro nos países em desenvolvimento consigam ser tratadas ao nível dos 5-10% - correcção, que sejam tratadas!
Mas consigo convencê-lo que iremos muito em breve estar à beira-mar e sentir o mundo a vibrar e que prometo, prometo, prometo empenhar-me mais no meu compromisso de contribuir com os meus conhecimentos para a luta contra o cancro nos países em desenvolvimento.

E como todos os meus EUS querem estar à beira-mar e sentir o mundo a vibrar...
- Maggs -

Saturday, August 25, 2007

Números...







De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em 2002, foram contabilizados cerca de 11 milhões de novos casos de cancro, a nível mundial, ocorrendo cerca de 60% destes casos nos países em desenvolvimento. Nestes países, cerca de 70% dos casos diagnosticados encontram-se num estado avançado da doença, sendo o acesso ao tratamento, com intento curativo ou paliativo, praticamente inexistente ou ineficiente.
Em 2005, e ainda segundo os dados da Organização Mundial de Saúde, esta enfermidade foi responsável por cerca de 7.6 milhões de óbitos, o que representa cerca de 13% de todas as mortes no mundo, havendo mais de 70% destas mortes lugar nos países em desenvolvimento. Este valor para o número de mortes, a nível mundial, é superior à percentagem de mortes causadas pelo HIV/SIDA, tuberculose e malária juntos.
Estima-se que cerca de 50% dos doentes diagnosticados com cancro, a nível mundial, beneficiariam da radioterapia, sozinha ou combinada com a cirurgia e/ou a quimioterapia. Por este motivo, a Agência Internacional de Energia Atómica, a Organização Mundial de Saúde e outros organismos internacionais de reconhecido mérito uniram-se, numa posição concertada, para a melhoria das condições de tratamento com radiações ionizantes nos países em desenvolvimento.
- Maggs -

Monday, August 20, 2007

O cancro nos países em desenvolvimento

Eu trabalho em radioterapia que não é mais do que a utilização segura e controlada das radiações ionizantes no tratamento das doenças oncológicas. É uma das opções de tratamento, tais como são a cirurgia e a quimioterapia. Neste momento, dedico-me à investigação de técnicas de tratamentos muito complexas e que envolvem o estado da arte em termos tecnológicos e clínicos. Enquanto na minha investigação, trabalho arduamente na escala do milímetro e na terapia com intento curativo, do outro lado do espectro existem pessoas que nem conseguem obter um tratamento paliativo condigno. Como cientista e, ainda mais, a nível pessoal, estou empenhada em disseminar o que se faz em termos de luta contra o cancro nos países em desenvolvimento. Daí o conjunto de links que introduzi. Irei mostrando números, factos e ... tudo o que for aprendendo ao longo do meu percurso profissional e pessoal.
- Maggs -